WRC: Resumo Rally da Turquia

WRC: Resumo Rally da Turquia

Por Rafael Neves

Era de esperar que o rali da Turquia trouxesse surpresas e a verdade é que não defraudou as expectativas.


O primeiro dia deu logo a entender que este não seria um evento típico, já que nenhum dos 3 principais candidatos se destacou. Neuville começou de forma muito cautelosa, Tänak parecia não conseguir acompanhar os tempos mais rápidos, e Ogier demorou um pouco a chegar à frente, embora com o passar do tempo se tenha evidenciado como o mais rápido dos 3. Suninen e Mikkelsen também mostraram bom andamento durante todo o dia, enquanto Meeke e Latvala mostraram que os Toyotas ainda não tinham melhorado o suficiente desde o ano passado para conseguirem ser competitivos na Turquia. Sordo e Tänak tiveram furos e viram-se desde cedo fora da luta pelos lugares cimeiros. Lappi voltou a demonstrar que consegue tirar o melhor do Citroën em ralis de terra, e acabou o dia em primeiro lugar, seguido de Ogier e Neuville a completarem o pódio.

O segundo dia iria trazer novidades muito importantes para o campeonato. O Toyota de Tänak voltou a ser afetado por problemas elétricos numa ligação entre etapas e não funcionou mais, sendo que o líder do campeonato viu-se obrigado a abandonar e só voltaria no dia seguinte, ao abrigo das regras de rali 2, mas desde logo fora da luta pelo top-10. Por sua vez, Neuville iria ser vítima da diminuição do intervalo entre pilotos, dos 4 minutos do dia anterior para apenas 3 (decisão algo incompreensível por parte da organização), que fez com que houvesse imenso pó em certas zonas, o que retirava por completo a visibilidade dos pilotos. O belga teve o azar de ficar sem visibilidade numa curva e ter batido contra uma rocha a baixa velocidade, mas que foi suficiente para capotar e perder 4 minutos. Mikkelsen viria a ter um problema parecido, mas que, por sorte, não lhe custou muito tempo. Quem não quis nada com os dramas foram os Citroën, que evitaram problemas e acabaram o dia nos dois primeiros lugares, com Ogier a conseguir ultrapassar Lappi no primeiro lugar, e Mikkelsen a fechar o pódio, embora a mais de 1 minuto da dupla da frente.


O terceiro dia tinha como pontos de interesse saber se a Citroën conseguia manter os dois primeiros lugares, bem como os resultados da Power Stage. As 3 primeiras etapas não trouxeram grandes novidades, sendo que a Power Stage, o único objetivo pelo qual Tänak podia ainda lutar, caiu mesmo para o estónio, que a venceu, à frente de Neuville e Ogier, com Latvala e Suninen a fechar o top-5 que tem direito a pontos extra. Assim sendo, Ogier venceu o rali da Turquia, com Lappi em segundo a garantir os dois primeiros lugares para a Citroën. Mikkelsen fechou o pódio, Suninen acabou em quarto, Sordo ficou em quinto e garantiu pontos importantes para a Hyundai ao ficar à frente dos 2 Toyotas. Neuville fechou o top-8.


No final do 11º rali do campeonato, Tänak continua a liderar o campeonato com 210 pontos, mais 17 que Ogier e mais 30 do que Neuville, o que permite que mais um deslize possa significar uma mudança no topo da classificação.


No campeonato de construtores, a Hyundai ganhou um pouco mais de folga em relação à Toyota, tendo agora 314 pontos, mais 19 que a marca japonesa. 

Se é verdade que o desfecho deste rali garante um final de campeonato muito competitivo e interessante para os espectadores, não deixa de ser também frustrante para Tänak ter este tipo de problema a minar a sua candidatura ao título, sendo que quando o carro se mostra fiável, o piloto não costuma dar hipóteses à concorrência. Não foi a primeira vez que o Toyota o deixou ficar mal, sendo que os problemas elétricos já não são uma novidade para a marca, que parece não ter ainda arranjado solução para eles. O estónio não escondeu a frustração, dizendo que “é difícil lutar pelo campeonato quando estes problemas nos afetam de forma recorrente”. Se, por um lado, a Toyota não deverá ter problemas em oferecer-lhe o salário necessário para o manter na equipa, por outro, tendo em conta o interesse da Ford/M-Sport e a recorrência destes problemas, o estónio pode mesmo sentir-se tentado a mudar de ares para uma equipa que lhe garanta mais fiabilidade.


Quem ficou muito satisfeita com a sua performance foi a Citroën, que depois de um rali da Alemanha para esquecer, e de volta aos pisos de terra, voltou a mostrar a sua força nesta superfície e a garantir um resultado excelente, que permite à sua estrela, Séb Ogier, voltar a aproximar-se da liderança do campeonato.


Uma palavra ainda para Neuville, que não tem tido sorte nenhuma ultimamente, e que neste rali voltou a ser vítima do azar, com um acidente do qual não teve culpa e que o tirou da luta quando estava perto do topo. No entanto, a 3 ralis do fim, ainda tudo é possível, e com certeza ninguém vai levantar o pé a partir de agora. 

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